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08/12/2010

Natal com rock a meio gás em Elvas

Perguntarão vocês como é possível unir o Natal à sonoridade rasgada característica do rock. Pois bem isso é possível e em boa hora alguém pensou em realizar uma iniciativa com estes contornos na cidade de Elvas.
Sabemos pois que na nossa cidade quando se faz critica-se, quando não se faz critica-se e certamente a minoria, aquela que faz, terá razões para ser feliz. Porém, por vezes, há (in)felizes coincidências.
Quem nos conhece sabe pois que respeitamos todo o tipo de bandas, sejam elas de rock, de metal, de música tradicional ou até de jazz, que toquem músicas covers ou originais. Mas, em Elvas, teimosamente há quem finja esquecer o trabalho de quem apenas gosta de se divertir em cima de um palco, colocando eternamente diversos grupos musicais de parte, sem que pelo menos exista um contacto ou um simples "olá, como estão?". A atitude de aldeia e de ideias fechadas num sentimento de posse de quem se diz "melhor" do Mundo, mesmo que o talento exista e seja reconhecido pela crítica, é sufocante para quem anda nestas lides. Respira-se um ar diferente num local tão pequenino e cada vez mais desinteressante como na cidade raiana.
Sempre nos pautámos por primar pela diversidade e, em Elvas, é inegável que existe um sem número de bandas musicais, mais do que em qualquer capital do distrito de um interior esquecido. Invulgar? talvez! Mas isto é a prova de que o valor está cá, os grupos sobrevivem, no entanto, cada um no seu galho e ai daquele que se lembre de juntar no mesmo palco quem não interessa.
Parece ser o caso, os Leapkick, que até hoje, só não pisou o palco com os agora adormecidos Jed Dickens, esperamos que por pouco tempo, vocês prometem pessoal. Ainda assim, para dizer que pelas conversas parecem ser dos poucos, a par dos Bfor, em que a mentalidade está bem refrescada e em que a geração - um dia chamada rasca - é afinal bem mais interessante do que essa classificação sugere. Aos Leapkick, curiosamente, aquele grupo que tantos desejam ver pelas costas, foi atribuido um prémio de simpatia num rol de 10 grupos de Portugal e Espanha num Festival lá fora, pois claro, na zona centro do país. Sim, em Elvas, seria impossível ou improvável se no perfeito juízo se encontrassem outros grupos da casa. É apenas um exemplo, porque prémios? Valem o que valem, não os levantamos como porta-estandarte, muito menos do tamanho de um rolo de cozinha estendido pelo país fora.
Não sei se ainda se lembram dos Destino Oculto, a génese dos actuais Leapkick, e que já então nos apelidavamos de grupo rock, embora admitindo hoje que outras influências musicais também lá estavam. Todavia, os Leapkick são uma ou a banda rock de originais em português de Elvas, ainda assim, porque são miúdos ou até porque incomodam, são completamente ignorados por aquelas pessoas que em tão boa hora se lembraram de organizar uma iniciativa tão louvável como aquela que descrevemos quando iniciámos esta conversa. Natal + Rock + Elvas - Leapkick = Natal com rock a meio gás em Elvas. Recordem esta "dica" e vejam o quanto ignorados somos na cidade em que nos inspiramos para escrever os temas originais, onde ensaiamos e, a qual, levamos bem alto sempre que actuamos fora do concelho. A iniciativa está para se realizar, sem Leapkick, aquela banda de uns putos que até são de Elvas, que até tocam rock, que até estão nestas andanças desde 2003, mas talvez por isso não mereçam figurar em eventos que têm lugar em Elvas e, organizado em grande parte, por pessoas ligadas à música desta aldeia de broncos à beira mar plantado.
Fazendo jus ao lema de uma grande superfície de electrónica de consumo: "Eu é que não sou parvo".
Bom Natal para todos!
Leapkick